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Somos Amigos do Noivo, missionários do Dízimo!

Dízimo

11.12.2020 | 11 minutos de leitura

Somos Amigos do Noivo, missionários do Dízimo!

Olá, eu sou a Márcia Dallagrana Colatusso da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, Campo Largo, Arquidiocese de Curitiba. Coordeno junto com o meu marido a Pastoral do Dízimo na Matriz e estou nessa pastoral há 02 anos. Dizimista há muito tempo, porém, Deus realmente tocou o meu coração a respeito do verdadeiro sentido do dízimo depois que iniciei os trabalhos nessa pastoral, em especial, neste ano de 2020.

E por ter sido muito tocada e ouvido um apelo muito forte de Deus em meu coração para anunciar e testemunhar sobre a importância do dízimo em nossas comunidades que hoje venho aqui falar um pouquinho para vocês sobre os meus aprendizados ao longo deste tempo e, em especial, o que tenho vivido e sentido. Uma frase que ecoa sempre em mim e que teve muito significado para um entendimento mais profundo sobre o dízimo foi o que ouvi numa Masterclass do Curso “Princípios Fundamentais do Dízimo”, da Escola da Partilha, dita pelo Missionário Aristides Madureira: “O dízimo nasce no coração do homem e ecoa no coração de Deus”. A partir daquele momento senti que o dízimo é realmente uma experiência de Deus e com Deus.

Partindo deste meu pequeno testemunho é que venho falar um pouquinho sobre o que significa nos tornarmos Missionários do Dízimo, sermos amigos do noivo.

Trago primeiramente a figura de João Batista que encontramos no Evangelho de Lucas, capítulo 3, 1-23. Neste capítulo de Lucas vemos o pouco que a Bíblia descreve sobre a missão de João Batista. Escolhido por Deus antes mesmo dele nascer, (ler o versículo 4 deste mesmo capítulo e também Lucas 1, 13-17), quando o profeta Isaías já mencionava sobre aquele que ia preparar o caminho da chegada de Jesus: “Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor; endireitai no ermo uma vereda a nosso Deus.” Isaías 40,3

Mas, quem foi João Batista?

João (do hebraico – Yohãnãn) Batista (porque batizava) é considerado por muitos estudiosos um Essênio – povos que se retiravam da sociedade, davam atenção à oração e estudo das escrituras. Suas posses eram comuns e eram conhecidos por serem piedosos. Eram contrários à escravidão e à guerra. 

Estudos revelam que os membros dessas comunidades haviam abandonado influências corruptas das cidades judaicas, para prepararem no deserto, o “caminho do Senhor”. Daí, comenta-se a explicação dos costumes de João Batista: vestia-se de pelos de camelo, comia mel e gafanhotos (vide Mateus 3,4) “E este João tinha as suas vestes de pelos de camelo, e um cinto de couro em torno de seus lombos; e alimentava-se de gafanhotos e de mel silvestre.”

João Batista era filho de Zacarias e Isabel, a qual era prima de Maria, mãe de Jesus. Quando Isabel estava grávida de João Batista, Maria também estava grávida de Jesus (uma diferença pequena de tempo de gestação). A Bíblia relata da visita que Maria fez a Isabel quando estavam grávidas, e nos conta que quando Isabel ouviu Maria chegando, João Batista saltou de alegria dentro de seu ventre e Isabel foi cheia do Espirito Santo. “… e aconteceu que, ao ouvir Isabel a saudação de Maria, a criancinha saltou no seu ventre; e Isabel ficou cheia do Espírito Santo.” (Lucas 1,41)

Veja que linda essa ligação! Uma ligação sobrenatural! Creio que algo de muito poder só poderia acontecer nessa história. João Batista, mesmo ainda um bebê, já sentiu o poder sobrenatural daquele que seria o Rei, o Messias tão esperado!
Mas o que eu quero compartilhar aqui com vocês, é a MISSÃO que foi incumbida a João Batista e depois traremos para a nossa experiência.

No Antigo Testamento, quando o Patriarca queria achar uma esposa/esposo ao seu filho/filha, nomeava um servo (talvez o mais antigo), em quem ele mais confiava e dava a missão a ele de encontrar um cônjuge para se casar com seu filho. Um exemplo disso foi Abraão, quando deu a missão ao seu servo de encontrar uma esposa para Isaac – seu filho, (Gênesis 24). E quando o Patriarca escolhia o servo para esta missão, aquele servo passava de um simples servo, para o que vamos chamar aqui de ‘amigo do noivo’, afinal de contas, além de ser fiel ao Patriarca, deveria ser amigo do noivo para encontrar a esposa ideal que agradasse ao noivo. 

Quando este servo encontrava aquela a quem ele gostaria de apresentar como noiva, sua tarefa era falar bem do noivo para a noiva, atrair o interesse dela pelo noivo. O servo então fazia a corte para a noiva e também falava com a família da noiva para convencê-los de que aquele seria um bom casamento. E quando voltava para o noivo, o servo fazia a mesma coisa, falava bem da noiva para ele para que despertasse interesse. Quando a noiva e o noivo se encontravam para se conhecerem, era hora do servo sair de cena, e deixar que os noivos ocupassem o papel principal.

O que isso tem a ver com João Batista?
Bem, considerando essa história do Patriarca, vejo Deus como o Patriarca que escolheu João Batista que era chamado de servo menor e o maior: Menor, porque João Batista nos dá lições de humildade e quando ele pregava, fazia questão de dizer que ele não era o Cristo, mas que o Cristo seria aquele que viria após João Batista. E Maior, porque o Patriarca o escolheu como o Amigo do Noivo!

João Batista falava bem do Noivo para a noiva…

Quando João Batista efetivou sua missão de preparar o caminho do Senhor, aquela multidão que ele ia encontrando e pregando ao redor do Jordão era a Igreja. Ou seja, João Batista já estava encontrando a noiva em cada lugar que ele passava. E na medida que ele a encontrava, ele ia falando bem do Noivo, o Messias.
O amigo do noivo, sabe do que o noivo gosta, quais as caraterísticas do noivo, e elogia o noivo para a noiva, até que ela se atraia e se renda àquele a quem o servo quer apresentar.

Quando João Batista via Jesus passar eu acredito que ele não era nada discreto, pelo contrário acredito que ele gritava, expressando ao máximo sua emoção em ver o Noivo chegando: “Eis ali, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo! É Ele, Ele é o Rei e não eu! Ele é o Cristo e não eu!”

Nós somos os amigos do noivo!

Em João 3, 29 João Batista diz assim: “Aquele que tem a esposa é o esposo; mas o amigo do esposo, que lhe assiste e o ouve, alegra-se muito com a voz do esposo. Assim, pois, já este meu gozo está cumprido.”

Acabou aqui a missão de João Batista. Nós não sabemos mais sobre ele na Bíblia, não sabemos mais sobre a pessoa de João Batista, mas a missão não termina.  A missão corre nos dias de hoje, e sou eu, você, pastores, líderes, ministros, somos nós os escolhidos pelo Patriarca para que, de pequenos servos, sejamos pois agora chamados de Amigos do Noivo. Nós somos sucessores de João Batista.

É nossa agora a missão de percorrer a terra e erguer nossa voz e gritar o que Davi gritou: 
“Levantai, ó portas, as vossas cabeças; levantai-vos, oh portais eternos, e entrará o Rei da Glória.
Quem é este Rei da Glória? O Senhor forte e poderoso, o Senhor poderoso na guerra.
Levantai, ó portas, as vossas cabeças, levantai-vos, ó entradas eternas, e entrará o Rei da Glória.
Quem é este Rei da Glória? O Senhor dos Exércitos, ele é o Rei da Glória.” (Salmo 24, 7-10)

E é a partir deste olhar que podemos nos tornar os AMIGOS DO NOIVO. Colaborando com o dízimo estaremos tornando possível acontecer uma das dimensões do dízimo na Igreja Católica, pois Dízimo é um compromisso missionário.
Ser missionário é ensinar sobre quem é Jesus Cristo e sua doutrina e nos conscientizarmos mais sobre nossos deveres de batizados e, sobretudo, colocá-los em prática em nosso dia-a-dia como compromissos permanentes a serem exercidos o ano todo.
     
O exercício desta missão da Igreja se dá, principalmente através dos diversos movimentos e equipes de Pastoral, sob a coordenação de bispos, presbíteros, diáconos, religiosos e religiosas, seja em nível diocesano ou paroquial, e que, em conjunto, procuram evangelizar em conformidade com os dons que o Criador lhes concedeu.    
     
Concretamente, é em nível paroquial que se exerce mais diretamente a ação evangelizadora da Igreja, conforme se pode ler no Capítulo V, item 170 do Documento de Aparecida - DA: “Entre as comunidades eclesiais, nas quais vivem e se formam os discípulos missionários de Jesus Cristo, sobressaem-se as Paróquias. São células vivas da Igreja e o lugar privilegiado no qual a maioria dos fiéis tem uma experiência concreta de Cristo e a comunhão eclesial. São chamadas a ser casas e escolas de comunhão”. Ou seja, é onde se cria e se desenvolve o espírito comunitário.

Também, um dos apelos do Papa Francisco que vem ecoando como marca do seu episcopado é a necessidade de ser uma “Igreja em Saída”. São vários os movimentos e pastorais que realizam suas atividades em cima desse propósito 

DÍZIMO É MISSÃO

“Do ponto de vista da evangelização, não servem as propostas místicas desprovidas de um vigoroso compromisso social e missionário, nem os discursos e ações sociais e pastorais sem uma espiritualidade que transforma o coração” (Papa Francisco, Evangelii Gaudium, 262).

Ser dizimista é viver um verdadeiro envolvimento com as causas do Reino de Deus.

O que prende o nosso coração e como lidamos com os bens materiais. Ter bens não é um problema, o problema é quando nos apegamos a eles, não compartilhamos, não somos capazes de perceber a necessidade do outro. A proposta é que olhemos para a nossa comunidade eclesial e nos perguntemos: - qual contribuição estou dando para que a minha comunidade continue evangelizando, sendo missionária, levando a mensagem de Jesus a todos? 

Ser dizimista é ter coração missionário. E coração missionário, é aquele que se alegra ao ver sua Igreja forte e fiel, celebrando a vida e atenta aos mais necessitados.

Por fim, a dimensão missionária do dízimo é um sinal de pertença à Igreja. A vida de fiel, de discípulo de Cristo e, que, pelo nosso batismo, estou consagrado e vinculado a Deus e a uma comunidade cristã a qual une completamente a todos os desafios econômicos, formativos, missionários e caritativos do Povo de Deus.
O cristão que ama a Jesus Cristo e a sua Igreja, na pessoa de cada irmão, será um dizimista feliz e comprometido com o projeto do Reino de Deus. Portanto, para o que é do Senhor nós guardamos e consagramos a melhor parte. Este é o sentido do dízimo.

E encerro fazendo um apelo: 

Queremos nos tornar amigos do Noivo (Jesus) e fazer com que mais irmãos também se tornem? Eles também querem ouvir falar do noivo. E são muitos irmãos que ainda não se encontraram com o noivo, talvez até dentro de nossas cassas, de nossas igrejas, de nossos trabalhos, da nossa sociedade...

É a minha missão e a sua, de amigos do noivo, que tornarão este encontro possível. Nossas vozes devem ser levantadas com poder, ousadia e glória. E sabe o que atrai o Noivo a vir e se casar com a noiva? O arrependimento, o quebrantamento, a aceitação e a valorização dos nossos irmãos, fazer acontecer um novo céu e uma nova terra de igualdade e justiça... 

E quando isso acontecer, nós, os amigos do noivo, não deixaremos os noivos a sós. Você e eu, como amigos do noivo, faremos parte deste casamento. E quando chegar a hora em que deixaremos de ser chamados de Amigos do Noivo, para sermos chamados de Igreja (Noiva), será então o grande momento em que estaremos prontos para as Bodas do Cordeiro.

“Regozijemo-nos, e alegremo-nos, e demos-lhe glória; porque vindas são as bodas do Cordeiro, e já a sua esposa se aprontou” (Apocalipse 19,7).

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