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Dízimo: lei ou graça?

Ao contribuir com o dízimo promovemos o anúncio da Palavra de Deus, que salva e liberta. Se feito de coração, este gesto nos enche de amor.

Dízimo

10.03.2019 | 4 minutos de leitura

Dízimo: lei ou graça?

O marido chega em casa com um lindo buquê de flores, ao que sua esposa surpresa questiona:

- Estamos comemorando algo em especial? Há tempos você não me presenteia com flores.

O marido, que neste momento guardava sua pasta de documentos no armário da sala, sem dirigir seu olhar para ela responde:

- Nada, estava em promoção. A vendedora, uma dessas floristas ambulantes, insistiu tanto que acabei comprando. 

A esposa ficou em silêncio e desconsolada. O marido, então, voltando-se para ela, perguntou:

- O que foi, não gostou?

- Gostei, mas estas flores não são para mim. O que te levou a comprar as flores foi a promoção e a insistência da vendedora. Muito mais significativo seria se você tivesse pensado em mim, se tivesse ido até a floricultura e escolhido algo em especial, poderia ter sido, apenas, um botão de rosa, um vaso de violetas. Uma decisão sua de coração, mas não foi.


É claro que a esposa da parábola desejava receber este agrado do esposo, mas não da forma com que ocorreu. Foi circunstancial. Ele comprou as flores para se ver livre da vendedora. Poderia ter sido uma chave de fendas, um carregador de celular, qualquer coisa. Calhou de serem flores. Não foi algo feito de coração.

Certa vez, no plantão do dízimo de minha paróquia, ouvi a conversa entre dois fiéis. Um deles dizia: 

- Acho um absurdo alguns católicos nãos serem dizimistas, será que eles nunca leram a Bíblia? O dízimo é lei obrigatória para todos. Depois se queixam de passarem por maldições. Ele referia-se ao texto de Malaquias 3,9. 

O outro ficou em silêncio e eu me lembrei da estória das flores.

Comparando as duas narrativas deparamo-nos com a seguinte questão: o que nos motiva?
Motivação – Impulso interno que leva a ação.

São Paulo diz: “cada um dê segundo o impulso do coração...” (II Cor 9,7). Não é a lei e sua obrigatoriedade que deve nos impulsionar, mas o amor. Amor que nasce da Graça. Que se origina em Deus. 

Vejamos rapidamente que motivou a prática do dízimo na história:

O dízimo tem sua origem no paganismo. Há vestígios de sua prática na cultura suméria, cuja motivação era a de aplacar a fúria dos deuses. Conseguir deles, benefícios para a plantação e sua colheita. Biblicamente, teremos a primeira menção do dízimo com Abraão, pai da fé, que o fez por reconhecimento, gratidão e fé no Vale dos Reis, junto ao sacerdote Melquisedec.  

Veremos que Moisés, ao libertar o povo da opressão do faraó, no Egito, regulamenta a prática do dízimo, dando a esta prática finalidade e destino. Em Jesus, a Lei é aperfeiçoada e ganha nova perspectiva: a da graça. Enquanto a lei condena aos seus transgressores, a graça os liberta e salva. Deus expressa seu amor na figura do Filho, que tudo faz novo com sua vida, morte e ressurreição.

Todo aquele que está sob a ação da graça não precisa temer a lei. Não por esta ser insignificante ou nula, mas pelo fato de a graça jamais transgredi-la. A lei foi necessária para que o homem não se perdesse. A graça, porém, o encontra e o resgata. 

O amor de Deus nos impulsiona a outras motivações, como: o encontro com os mais necessitados; à unidade, à prática da justiça, a espiritualidade solidária e a promoção da paz. O que nos motiva a ser dizimistas, nos dias de hoje, é ainda, o anúncio da Palavra, que salva e liberta. É o amor que sentimos por Jesus e sua Igreja.

Este amor nos tira da obrigatoriedade dos números (10%), e nos transporta para a vivência fraterna. Pela participação responsável e fiel, nos tornamos discípulos missionários de Jesus. A lei que estava escrita nas pedras, pela graça vivificante, foi impressa em nossos corações.


“Não há dúvida de que vós sois uma carta de Cristo, redigida por nosso ministério e escrita, não com tinta, mas com o Espírito de Deus vivo; não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, isto é, em vossos corações” (II Cor 3,3).

Como testemunhas de Cristo, possamos encontrar as corretas motivações para nossas práticas. Dízimo não se devolve pela força da obrigatoriedade, mas pelo poder do amor.

Aristides Luis Madureira é Missionário Leigo, com formação em Comunicação e Graduado em Processos Gerenciais. Sócio-Diretor da Editora A Partilha, Autor de vários livros, dentre eles destacam-se: “Dízimo em 30 Segundos – Partilhando a Vida em Família – Pastoral da Partilha Manutenção”. É o idealizador do projeto Dízimo e as Obras de Misericórdia mencionado neste artigo.

Leia também:
 - Como desenvolver estratégias pastorais junto aos dizimistas em tempos de crise?

 

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