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Como desenvolver estratégias pastorais junto aos dizimistas em tempos de crise?

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10.04.2019 | 8 minutos de leitura

Como desenvolver estratégias pastorais junto aos dizimistas em tempos de crise?


Como um novelo de lã que se desenrola ao ter sua ponta puxada, vivemos um momento na história da humanidade em que as crises se tornam evidentes, todas, ao mesmo tempo. Especialistas de diferentes ciências e disciplinas debatem, noticiam, especulam sobre as múltiplas crises que nos assolam: crise política, econômica, ambiental, ética, religiosa, etc. A humanidade parece ter entrado numa crise de identidade.
Que mãos puxaram o fio solto deste novelo? Seriam as mãos da justiça natural? 

Os modelos corruptos e injustos de governança do mundo, chegaram ao seu limite máximo. A natureza padece por sua exploração desenfreada e irresponsável, a ética e a moral são preteridas pelo poder do capital, o ser humano é reduzido à sua capacidade de consumo. E tudo isso parece resultar em vergonhosas práticas de múltiplas intolerâncias, colocando em cheque conquistas históricas da humanidade, dentre elas a dos Direitos Humanos. 


Mas, até que sejam extirpados da sociedade e substituídos por novos parâmetros e modelos mais solidários, justos e igualitários, causarão, ainda, muitos males. O que fazer? Qual o papel das comunidades cristãs neste processo transformador? E o que o dízimo tem a ver com isso?

Não raro, escuto por parte de alguns párocos e administradores paroquiais, o clamor sobre o que fazer com a inadimplência dos dizimistas nestes tempos de crise. Principalmente a econômica a qual o Brasil, como o resto do mundo, enfrenta. Aqui, parece que precisamos puxar a ponta de outro novelo. O novelo doméstico da vida comunitária paroquial.

A devolução do dízimo, por parte dos fiéis, pode ser resultado de diferentes motivações: porque gostam do padre; entendem as necessidades da paróquia; por culpas sociais; por medo dos castigos divinos; pela esperança de prosperidade pessoal; para se sentirem quites com Deus e com os homens ou porque compreendem seu papel na transformação social na promoção dos princípios e valores cristãos propagados no anúncio da Boa Nova realizado por e em sua igreja. Destas, apenas a última é capaz de resistir às intempéries das crises. As demais se tornam frágeis, obsoletas e vulneráveis aos desafios propostos em tempos de crises.

O modo dos fiéis devolverem o dízimo está intimamente ligado ao modelo de gestão adotado pela paróquia. Caso repliquemos, no ambiente eclesial, os velhos e malfadados modelos de governança (autoritário, diretivo, corrupto, etc) aplicados, por muitos, no mundo secular, teremos resultados frustrantes em todas as práticas paroquiais, não apenas com relação ao dízimo. 

É preciso que respondamos com sinceridade a algumas perguntas: 

a) Importa-nos mais o que sente e pensa o fiel ou o que ele possa nos dar? 
b) Buscamos o bolso dele ou o seu coração? 
c) Desejamos que a participação dos fiéis se resuma a confiar em nossa gestão, ou desejamos que ele participe ativamente na Igreja? 
d) Trabalhamos para os fiéis ou com eles? 
e) O autoritarismo eclesial se sobrepõe à autoridade do líder e diretor espiritual? Os fiéis são protagonistas da evangelização? 
f) Os pobres têm vez e voz em nossas comunidades ou são subjugados por não terem como participar financeiramente? 
g) Nossas paróquias são escola de comunhão e fé ou meios viáveis de produção de patrimônio? 
h) Acreditamos na partilha por sua força de unidade e trabalho ou por ser apenas fonte de alocação de recursos? 

Minha intenção com tais perguntas é tão somente a de refletir, à luz da Palavra e do Magistério da Igreja, a visão e missão de nossa Igreja. Não conheço instituição no planeta, religiosa ou não, que tenha tanto domínio e consiga perpetuar a visão e missão de seu fundador como a Igreja Católica. Podemos então, por várias razões, incorrer em equívocos de gestão, que nos afastam das motivações fundamentais que levaram Jesus a fundar sua Igreja. Precisamos, muitas vezes, revisitar a Sagrada Escritura para renovarmos nosso compromisso com essas motivações originárias: ”O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu; e enviou-me para anunciar a Boa Nova aos pobres, para sarar os contritos de coração, para anunciar aos cativos a redenção, aos cegos a restauração da vista, para pôr em liberdade os cativos, para publicar o ano da graça do Senhor” 
(Lc 4, 18-19).


É preciso, também, que à luz do Magistério da Igreja reordenemos a caminhada. Conforme nos exorta, ensina e envia a Constituição Pastoral - Gaudiun et Spes, o papel da Igreja na transformação social torna-se fundamental quando assume sua missão de estar a serviço do gênero humano (cf. GS 203) ou sobre a importância de reinventar-se como nos sugere o Documento 100, Comunidade de Comunidades, CNBB.
A comunidade cristã deve ser testemunho de gestão fraterna e solidária, de justiça e inclusão social, de respeito e tolerância, de fé e de esperança. É no seio da família cristã, em uma cultura de encontro e convívio, que os fiéis experimentam os benefícios da gestão participativa e realizam sua vocação de batizados, como discípulos missionários de Jesus. A devolução do dízimo, neste caso, torna-se por um lado disciplina de aprendizado e por outro, ação transformadora.

Quando a Pastoral do Dízimo atua com técnicas e referências do modelo participativo de gestão, consegue resultados extraordinários de conscientização. O recurso trazido pelos fiéis é um bem precioso que transcende seu valor econômico. Nele ( dízimo), estão expressos os esforços para implantação do Reino entre os homens; o sacrifício em prol dos menos favorecidos; a esperança por uma sociedade mais justa e fraterna; a fé de que estamos a caminho, liderados pelo Mestre da Vida; o reconhecimento do senhorio de Deus, etc.

Assim, caros gestores eclesiais, alguns pontos tornam-se imprescindíveis para a gestão eclesial, tais como:

a) A formação das equipes: econômica e de pastoral. Que estas não sejam figurativas, mas atuantes.
Que não sejam apenas consultivas, mas deliberativas.
b) Adequada implantação do dízimo, bem como a organização, formação e total apoio à Pastoral. Investir continuamente na equipe e nos fiéis.
c) Ouvir os fiéis em seus clamores e sugestões. Buscar todos os meios que encurtem as distâncias entre o pastor e as ovelhas.
d) Conhecer profundamente a realidade dos paroquianos e liderá-los para sua libertação. Mesmo que para isso, precisemos atravessar desertos. 
e) Elaborar, aplicar, supervisionar e avaliar os trabalhos, por meio de planejamentos estratégicos, administrativo e pastoral. Compartilhar objetivos e metas a serem atingidas por todos.
f) Dar, a saber, em profundidade tudo o que se faz na paróquia e creditar tais conquistas aos fiéis, despertando e desenvolvendo o senso de pertença.
g) Cuidar para que todos os processos administrativos respeitem as leis jurídicas, contábeis e legais, vigentes, não colocando em risco de escândalo toda a família cristã. 
h) Prestar contas de todas as entradas e saídas, objetivando valorizar, dignificar e animar a cada um dos paroquianos.
i) Investir os recursos de modo prioritário na formação espiritual e humana (a Igreja viva); nas urgências sociais; no crescimento dos bens materiais e em sua manutenção, objetivando o serviço e a missão.
j) Gerir patrimônios com responsabilidade e sustentabilidade, de modo a ser testemunha de justiça, respeito e zelo pelo bem comum.
k) Valorizar e promover a dignidade daqueles que exercem suas funções, sejam como funcionários, voluntários ou como fiéis discípulos.
l) Tornar o ambiente paroquial uma casa de portas abertas contemplando os espaços: Sagrado – Formativo – Geográfico - Virtual.
m) Que todas as proposições da paróquia para os fiéis sejam de estimulo e promoção para o ser cristão e não somente do fazer cristão.

Você pode, neste momento, estar questionando: isso tudo é possível? Sim. Todos os itens elencados são realidade em muitas paróquias no Brasil e no mundo. São compromissos e esforços de muitos gestores eclesiais. Não encontramos todos eles em uma única paróquia, algumas caminham melhor que outras, mas todas as propostas acima mencionadas estão ao longo do caminho de uma gestão participativa. O dízimo é expressão de participação, não combina com nenhum outro tipo de gestão. Se o dizimista se sente partícipe na missão evangelizadora assume, com sua participação consciente e fiel, os desafios oriundos de qualquer crise. 


DESTAQUES

A comunidade cristã deve ser testemunho de gestão fraterna e solidária, de justiça e inclusão social, de respeito e tolerância, de fé e de esperança. É no seio da família cristã, em uma cultura de encontro e convívio, que os fiéis experimentam os benefícios da gestão participativa e realizam sua vocação de batizados, como discípulos missionários de Jesus.

O modo dos fiéis devolverem o dízimo está intimamente ligado ao modelo de gestão adotado pela paróquia.

O recurso trazido pelos fiéis é um bem precioso que transcende seu valor econômico. Nele (o dízimo), estão expressos os esforços para implantação do reino entre os homens; o sacrifício em prol dos menos favorecidos; a esperança por uma sociedade mais justa e fraterna; a fé de que estamos a caminho, liderados pelo Mestre da Vida; o reconhecimento do senhorio de Deus, etc.

Aristides Luis Madureira é Missionário Leigo, com formação em Comunicação e Graduado em Processos Gerenciais. Sócio-Diretor da Editora A Partilha, Autor de vários livros, dentre eles destacam-se: “Dízimo em 30 Segundos – Partilhando a Vida em Família – Pastoral da Partilha Manutenção”. É o idealizador do projeto ‘Dízimo e as Obras de Misericórdia’ mencionado neste artigo.

Confira aqui um Kit de Cards Sobre o dízimo para as Redes Sociais de sua paróquia

Leia também: 
 - Dica criativa para a Pastoral do Dízimo no Mês Missionário

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